O Louco por Ariane Freire
Há uma grande diferença entre um mero irresponsável e aquele que caminha por entre as aventuras de sua liberdade. O “louco” comum anda por aí, enganando as pessoas, usando sua lábia para adquirir confiança, constrói suas armadilhas, pretendendo que nelas caiam os que lhe darão algum tipo de vantagem e lhe ofereçam algum tipo de prazer. Estes com certeza não representam o mais puro de todos os arquétipos, o LOUCO, nosso verdadeiro Andarilho Cósmico que segue em sua estrada em busca de algo que não sabe, caminha solitário pois, de alguma forma, sente que qualquer um que o siga cairá no abismo de sua incoerência. Não pertence a si mesmo, mas é possuído pelas circunstâncias. Escravo de sua marcha insensata, não sabe de onde vem e nem para onde vai, mas reconhece sua importância cosmogônica. É o espírito a procura de experiência. São os nossos impulsos que nos dão a vontade de buscar o desconhecido da vida. É a liberdade dos padrões e caminhos pré estabelecidos. A estrada ainda não explorada e transformada em preconceitos e leis que tolhem a visão mais ampla de nós mesmos. O LOUCO é a criança que brinca com a vida, sem os limites do ridículo ou do proibido. É a criança a procura de sua verdade. É a essência em busca da consciência de si mesma, sem a prisão dos padrões da sociedade, mas uma conquista do que é puro e real. O LOUCO não veste uma túnica bem costurada, mas várias cores jogadas como são suas emoções. Possui a luta e a coragem de Marte e a suavidade, a originalidade e a liberdade de Aquário. Ele é a quebra da lei envelhecida, mas não a substitui. Segue por entre universos, desligado de tudo e de todos. Não se preocupa com os abismos, pois quando à beira de um precipício, seu instinto, o avisa do perigo. Não olha para trás; seu passado ele carrega numa sacola às suas costas, não tendo consciência de seu conteúdo, mas intuindo que pode precisar dele a qualquer momento. Olha sempre para frente e para o alto, pois as pedras de seu caminho ele não as sente, parecendo voar sobre elas. Representa a energia primordial antes da Criação. O tudo e o nada, a síntese do todo. A energia ainda caótica, sem forma e sem rumo; mas que segue, sem dúvida, em direção ao seu destino. É aquela parte de nós que nos impulsiona, sem medo, a mudar de vida e criar novas estradas; é o nosso instinto de busca às experiências desconhecidas. É a criança interior sufocada pelos bloqueios da realidade. É a nossa essência, ainda inconsciente de sua importância no esquema cósmico. E O LOUCO SEGUE EM SUA FASCINANTE JORNADA, NELA ENCONTRA O MAGO E COM ELE APRENDE QUE PODE TER UMA DIREÇÃO, SEM PERDER SUA MAIS PURA VERDADE.
10/07/2011 Publicada por §µß¡t-äMö®ë